Wylaru Wolsin e os Segredos Revelados
1.9. Chegando em casa
A porta se abriu. Lorafa chegou primeiro, o sorriso abrindo de uma vez ao vê‑los inteiros. O olhar dela fez inventário rápido: joelho, faixa, rosto, postura.
— Aconteceu — disse Nira.
— Raiz escondida — Wylaru respondeu.
— E ele me salvou — Nira completou, quase orgulhosa.
— Eu imaginei. Entra, querida. Vamos cuidar direitinho.
Seli se levantou num sobressalto.
— Nira! — A voz saiu mais fina do que ela queria. Tocou de leve o joelho ferido e recuou como se o toque doesse nela. — Dói muito, minha flor?
— Tá tudo bem, mãe. Foi só um tombo.
Seli respirou curto, conteve o tremor e assentiu, sem soltar a mão da filha.
— Vamos cuidar disso agora.
— Obrigada, Wylaru — disse Seli, doce. — Você cuidou da minha filha como um verdadeiro guardião.
Wylaru correu até a mãe; Lorafa o abraçou rápido, apertado, o suficiente para dizer tudo sem atrasar nada.
— Muito bem, meu filho — ela disse, a mão no cabelo dele. — Estou orgulhosa. Pega o kit de primeiros socorros, por favor?
— Claro, mãe!
Ele disparou pelo corredor. A palavra ficou no peito, eco limpo: guardião.
— Seli, deita a Nira no sofá — pediu Lorafa, sem elevar a voz. — Vamos cuidar.
Seli acomodou a filha, uma almofada sob a cabeça. A mão ainda tremia, mas a presença era firme. Lorafa desenrolou a faixa improvisada. O joelho apareceu: pele arranhada, vermelho limpo, ardor evidente.
Wylaru voltou com o kit. Lorafa assentiu, aproximou‑se com calma.
— Tudo bem se eu cuidar?
Seli só conseguiu dizer sim com a cabeça.
Lorafa higienizou, secou, posicionou a gaze. Parou. Respirou fundo uma vez. Pousou a palma inteira.

