Wylaru Wolsin e os Segredos Revelados
1.6. Wylaru, Nira e o caminho até o parque
Eles saíram pela porta lateral.
O ar cheirava a chuva recente.
Nira desviava das poças com cuidado; Wylaru caminhava firme na borda da calçada, atento a tudo.
— Você anda bem de patins? — ele perguntou.
— Acho que sim… mas hoje tô meio nervosa.
— Tudo bem. A gente vai devagar.
A calçada tinha trechos irregulares, manchas de limo, poças longas.
Wylaru, sem parecer, guiava: ficava entre ela e a rua, escolhia trechos mais secos, antecipava riscos.
Na primeira esquina, ele parou.
— Me dá a mão.
Ela deu.
Esquerda — direita — esquerda.
Mas ele esperou.
Não pelo tráfego.
Pelo som.
Quando a rua “concordou”, atravessaram.
Mais adiante, um cachorro correu atrás de uma bicicleta.
Wylaru deu um passo à frente, bloqueando o caminho.
O cachorro desistiu.
Nira nem percebeu.
Wylaru percebeu tudo.
Quando se aproximaram da avenida, Nira ganhou confiança demais.
— Você não me pega! — gritou, avançando.
Wylaru sorriu… por um segundo.
Depois o sorriso morreu.
A avenida rugia.
Carros passavam como lâminas brilhantes.
Um arrepio percorreu seu corpo.
Ele correu.
Passos rápidos, firmes.
Alcançou Nira antes da borda do asfalto impiedoso.
Puxou-a pela mão, tirando-a da rota do perigo.
Ela ofegou, surpresa.
Wylaru segurou sua mão com firmeza.
— Tudo bem. Eu tô aqui. Sempre.
Só quando a avenida ficou distante é que ele soltou sua mão — e, por um instante, ela sentiu falta do contato.
Eles seguiram rumo ao Parque Santorini.

