Wylaru Wolsin e os Segredos Revelados
1.4. Uma chamada inesperada
O celular vibrou.
Na tela, um nome que mexeu com mais memórias do que ele gostaria: Ilael.
Helon parou por um instante. Respirou. Atendeu.
— Helon… — a voz era familiar, mas desgastada nas bordas. — Faz muito tempo.
— Faz — respondeu, direto. — Como você está?
— Bem… ou quase. As coisas mudam depressa.
— Diga.
O silêncio seguinte não era hesitação — era escolha.
— Invadiram o Chirmir Safe Center.
Helon não se mexeu, mas algo no ar ao redor pareceu mudar de peso. O parque ficou mais quieto do que deveria.
— Continue.
— O Livro de Magia Arcana foi roubado. Aquele que Lord Wis Inaman confiou a Tradori.
O mundo diminuiu o som.
O chafariz pareceu sussurrar em vez de cair.
Pássaros seguraram o canto.
— Isso não é possível, Ilael. O livro não deveria ser localizado. Quem ousaria…?
— Encontramos vestígios de magia antiga. Distorcida.
E há rumores… — a voz baixou — …de que o nome de Varnok foi sussurrado.
Helon fechou os olhos.
O passado abriu uma porta que ele preferia trancada.
— Como Varnok conseguiria escapar de Tenebris Sigillata?
— Pelo que sei, só com a Umbra Magna. Mas temos um problema…
— Diga.
— Umbra Magna é magia suprema. Ninguém conseguiu executá‑la plenamente.
Mas… encontramos algo parecido. Algo antigo. Torcido para caber onde não cabia.
Helon inspirou fundo.
— Você consegue vir até minha casa?
— Consigo. Às quatorze?
— Às quatorze. Falar longe de ouvidos indesejados é melhor.
Antes de desligar, Ilael hesitou.
— Helon… é bom ouvir sua voz.
Sinto falta de quando morávamos perto. Dos churrascos. Daquelas conversas que atravessavam a noite…
A Seli e a Lorafa viviam reclamando que a gente esquecia delas.
O sorriso de Helon apareceu sozinho.
— Eu lembro.
E sim… há laços que o tempo não desfaz.
Quando a ligação terminou, o parque voltou ao ritmo. O chafariz retomou sua cadência, alguém riu perto dos balanços, e um pombo levantou voo como se nada tivesse acontecido — exceto por Helon.

