Wylaru Wolsin e os Segredos Revelados
1.11. Ferli e os Soloys
Então, ele.
Encostado ao tronco de uma árvore, imóvel, um homem todo de negro. Roupas de linhas limpas — um hanbok em tecido espesso que bebia a luz — cingido por faixa dourada discreta. Sigilos arcanos respingavam ouro mínimo, quase entre um piscar e um sussurro. Luvas escuras. Botas silenciosas. Uma balaclava sem costuras. E, sobre ela, uma máscara lisa, sem aberturas para os olhos. Onde deveriam estar, marcas brancas desenhavam trajetos finos, como pacto antigo. A luz contornava a máscara; não a tocava.
Ele não falou. Não se moveu.
O ar mudou.
O vento, que brincava nas folhas, parou.
Os sons da rua baixaram um tom.
Um frio seco subiu dos tornozelos aos joelhos.
As marcas na máscara pulsaram — não em brilho, mas em presença.
— Seli… você viu? — sussurrou Ilael.
— Vi — ela respondeu, baixa, o corpo erguido por um instinto antigo.
Não havia olhos. Mas havia olhar.
Peso que atravessava pele, osso, hábito.
A sensação de ser sondado por algo que não dependia da visão.
Ferli existia ali como se sempre tivesse estado. E, ainda assim, parecia recém‑chegado de um lugar onde o mundo não sabe o nome das coisas.

